Minha vida gira ao redor de coisas complexas, sempre foi assim e não vejo ela deixando de ser. Algo engraçado. Irônico. Dão-se voltas e eu termino sempre no mesmo lugar. Creio eu que vim pra encarar de frente certas barreiras, e as vezes que eu dei a volta nelas por medo do tombo ao pular, vão ficando guardadinhas, e vai ter uma hora que essa curva vai surgir novamente e eu por me sentir maior, mas forte, mais capaz, pularei com maior coragem. Mas ignora-las? Elas jamais vão se permitir a tal absurdo. Quem eu penso que sou pra fugir de algo que surge nos meus destinos?
As coisas que fizeram eu me sentir culpada voltaram agora para me dar mais uma chance de acertar, será? Nao vou saber ao certo nunca, mas prefiro acreditar nisso e agarrar as chances, até porque, elas parecem valer bem mais a pena agora.
Uma coisa que eu aprendi nessa vida, mesmo sendo eu demasiadamente sensível, é que desabar por qualquer tristeza e dificuldade não vão me levar a nenhum canto desse mundo. Vai surtar? Surta. Vai gritar? Grita. Vai chorar? Não, não chora, transborda. Mas se dê uma hora pra isso, 60 minutos, não mais do que isso, porque ai já não vai ter mais coisa boa na cabeça e você vai estar esgotando seu tempo, o qual você deveria estar usando pra arrumar resoluçoes. Como diz a minha ruivinha: "De problema eu ja estou cheia, to querendo é solução." E é bem por ai, não vou mais me descabelar, vou usar de toda a minha força para pular as tais barreiras novas e guardadas. Vou me fazer feliz, deixar com que me façam feliz e dar tudo de mim para levar a felicidade de volta para quem mais me transmite ela. Vou tomar um floral, procurar um centro, resgatar a religiosidade que me resta, ter a ajuda do mais transcendente ao mais pé no chão. Vou tirar de cada dificuldade mais um motivo pra seguir em frente. Não sou capricorniana a toa, né? Então aqui venho a dar tchau, mas provavelmente, um tchau passageiro, porque ninguém se livra de mim fácil assim, hoje eu to dura na queda, e doa a quem mereça sentir dor.
Sempre vi bons textos assinados como artista desconhecido. Esses artistas acabam não sendo valorizados e não sendo conhecidos. Juntando um pouco do meu gosto por escrever, com os textos que crio e são ao menos reflexivos e minha vida pessoal e me expondo livremente por aqui.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Ironia cotidiana.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Verônica. Dois.
Mas calma, não da pra entrar em pânico ainda, pode não ter sido isso. - pensou - tentemos lembrar mais, não pode ser tão impossível.
Lembrou do papo dela com Rodrigo no bar. - Isso, Rodrigo, esse era o nome, já é um avanço.
Foi falado sobre música, shows, futebol e... mulher? Ele me comeu sabendo que gosto de mulher? Cadê o respeito desses caras, hein?
Apagou o cigarro, levantou e foi pro banheiro com nojo do seu corpo, depois de meia hora de um banho frio pra curar a ressaca, pôs uma roupa leve e surrada, se jogou novamente no sofá e foi olhar as sms de ontem.
- Puta que pariu, 5 mensagens não lidas, é, realmente, depois dessa, adeus Ana.
Duas da Tim. - alívio - uma do Pedro marcando de uma putaria aleatória a noite. - foda-se Pedro uma hora dessas. - Agora uma da Ana pedindo desculpas pelo surto de ciúme de ontem a noite e me chamando pra conversar. - mal sabe ela quem está mais culpada na história... - E uma de sua mãe perguntando cadê ela pra almoçarem juntas no shopping. - Pronto, sem namorada e deserdada.
Depois de ligar pra mãe, pedir mil desculpas, diizer que se sentiu mal a noite toda, convence-la de que não estava necessitada de cuidados maternos e remarcar o almoço pro dia seguinte, finalmente, ta na hora de conversar com a Ana.
- Alo...?
- Ve? Finalmente, poxa.
- oi, meu amor, desculpa, dormi demais...
- fez o que ontem, Verônica? Não acredito que enquanto eu estava mal em casa você foi beber e dar por ai.
- ei, calma, não fiz nada, só varei a madrugada vendo filmes, a insonia pesa quando não to bem, cê sabe...
- hm, okay, posso ir pra ai?
- vem, preciso mesmo de você.
- ta certo, meia hora eu chego, beijo.
- beijo, bebê, to te esperando...
Desliga o telefone.
- pronto, agora além da merda feita, ainda to mentindo. Meia hora pra eu lembrar de tudo, vamos, Verônica, põe o cérebro pra funcionar.
- Opa, opa, opa. A loirinha gostosa sentou na minha mesa! Será? Ai, que peso menor no peito agora, dar pra um semi-bombado depois de anos sem pensar em cama com homem ia ser muito triste. - pensou e riu.
Foi pro quarto dar uma geral. Arrumou estante, varreu o chão, arrumou a cama e... uma calcinha comestìvel foi encontrada. - puta merda, a que ponto cheguei, olha o nível putônico da loirinha, saiu pra dar.
Calcinha de bala Juquinha no lixo, lixo na rua, chegou Ana.
- hey, meu bebê, vem ca, vem? - disse a ruivinha pequena enquanto abraçava Verônica e sua cara de ressaca na calçada.
(Continua.)
domingo, 23 de dezembro de 2012
Verônica. Um.
Verônica Macedo, 19 anos, gaúcha, brasileira. Com seus cabelos negros presos em um nó mal feito, e com seus olhos verdes tentando desviar das pequenas mechas que pendiam sobre eles, ela lia as notícias no jornal do dia anterior enquanto tomava uma caneca de café forte. De blusão, calcinha e meias, jogada no sofá da sala sob a janela, entre uma notícia e outra, tentava se lembrar da madrugada que havia tido. Já se passava das quatro da tarde, mas ela tinha acordado há pouco mais de meia hora, e ainda não conseguia chegar a conclusão de quem era a pessoa que havia deixado um post-it no espelho do banheiro escrito: "bom dia, princesa". Já começa que princesa é um termo usado por tanto cara que se acha gostosão, que quando nao saído com suavidade de belos e sinceros lábios, parece algo extremamente nojento, e depois que, meu deus, o que havia acontecido naquela noite? Ela se lembra de estar sentada nesse mesmo sofá vendo novela, quando o celular tocou e era ela pra infernizar. Lembra de se levantar, tomar um banho rápido, se arrumar de uma forma sexy e casual, e ir à uma boatezinha há poucos quilometros de casa, bebida e outras mulheres podiam a distrair...
- Ah, não, isso não! - sussurrou ela com raiva ao se lembrar de um rapaz de cabelo curto e bagunçado, com braços definidos e uma blusa do Led Zepplin que havia puxado assunto com ela na boate, e ela havia dado corda por ele ter bom gosto musical e para bebida, pois havia lhe dado um copo de Morrito, enquanto virava umas doses de tequila no balcão do bar. Simpático e com tudo que uma mulher precisaria, ele pode ter ido pra casa com ela, pra cama com ela...
- Merda! - agora ela grita enquanto acende um cigarro e treme a perna compulsivamente com odio de si mesma em suas crises de sexualidade.
- Não, eu não posso ter feito isso, a Ana não me perdoa mais, depois dessa, nunca mais...
(Continua)
domingo, 2 de dezembro de 2012
Evolution, baby, just evolution.
Escrevendo e ouvindo: Olha - Chico Buarque e Erasmo Carlos.
Quem te viu, quem te vê - Chico Buarque.



