domingo, 23 de dezembro de 2012

Verônica. Um.

Verônica Macedo, 19 anos, gaúcha, brasileira. Com seus cabelos negros presos em um nó mal feito, e com seus olhos verdes tentando desviar das pequenas mechas que pendiam sobre eles, ela lia as notícias no jornal do dia anterior enquanto tomava uma caneca de café forte. De blusão, calcinha e meias, jogada no sofá da sala sob a janela, entre uma notícia e outra, tentava se lembrar da madrugada que havia tido. Já se passava das quatro da tarde, mas ela tinha acordado há pouco mais de meia hora, e ainda não conseguia chegar a conclusão de quem era a pessoa que havia deixado um post-it no espelho do banheiro escrito: "bom dia, princesa". Já começa que princesa é um termo usado por tanto cara que se acha gostosão, que quando nao saído com suavidade de belos e sinceros lábios, parece algo extremamente nojento, e depois que, meu deus, o que havia acontecido naquela noite? Ela se lembra de estar sentada nesse mesmo sofá vendo novela, quando o celular tocou e era ela pra infernizar. Lembra de se levantar, tomar um banho rápido, se arrumar de uma forma sexy e casual, e ir à uma boatezinha há poucos quilometros de casa, bebida e outras mulheres podiam a distrair...
- Ah, não, isso não! - sussurrou ela com raiva ao se lembrar de um rapaz de cabelo curto e bagunçado, com braços definidos e uma blusa do Led Zepplin que havia puxado assunto com ela na boate, e ela havia dado corda por ele ter bom gosto musical e para bebida, pois havia lhe dado um copo de Morrito, enquanto virava umas doses de tequila no balcão do bar. Simpático e com tudo que uma mulher precisaria, ele pode ter ido pra casa com ela, pra cama com ela...
- Merda! - agora ela grita enquanto acende um cigarro e treme a perna compulsivamente com odio de si mesma em suas crises de sexualidade.
- Não, eu não posso ter feito isso, a Ana não me perdoa mais, depois dessa, nunca mais...

(Continua)

Nenhum comentário:

Postar um comentário